Confira o meu artigo, publicado dia 21 de outubro, no Jornal Terceira Visão, “​O amigo celular?”, por Ana Geremias. 

O amigo celular?
Por Ana Geremias

Falar que sou da época em que comemorei o recebimento da carta de concessão da Telesp para obter o meu primeiro aparelho Motorola de celular, após meses de espera, é entregar a idade. Mas não é tão distante assim não, vinte anos atrás. E olha que, naquele momento, praticamente 100% do aparelho era destinado a uma função considerada básica para os dias atuais: conversar, via voz, por ligação telefônica para outro celular ou fixo. Pesquisa recente sobre o comportamento das pessoas em relação aos celulares traz informações importantes e preocupantes, sobretudo do ponto de vista comportamental.
A empresa Deloitte, de auditoria e consultoria, apresentou a pesquisa “Global Mobile Consumer Survey – GMCS 2016” que traz dados que surpreendem sobre a nossa relação com o celular. Foram ouvidas, em 31 países, 53 mil usuários de celular, sendo 2005 entrevistados brasileiros. Em cada 10 brasileiros, 8 tem smartphones e, ao lado do nosso amigo celular não só dormimos, mas até respondemos mensagens de madrugada!
Quando perguntado sobre a principal função do celular, o telefonema aparece apenas na 4ª colocação, atrás do email, redes sociais e, em 1º lugar, o principal uso, segundo essa pesquisa, é para transmissão e recebimento de mensagens instantâneas, hoje popularmente pelo WhatsApp.
Outros dados também impressionam: 15% teclam os celulares atravessando a rua; 48% conferem o celular minutos antes de dormir; 32% ao acordar; 37% leem mensagens de madrugada e 28% respondem! E se não bastasse, 30% admitem que, em casa, tem 1 discussão ao menos por semana com o companheiro ou a companheira por conta do tal amigo celular.
São mudanças que acompanham a história do final do século XX para este século XXI. E sempre a interferência entre as novas tecnologias no modo comportamental do ser humano. É claro, e aqui como profissional de comunicação, defendo e muito os avanços tecnológicos, especialmente na área da tecnologia da informação. Mas é importante também sermos os responsáveis pelo uso consciente e não o contrário, que provoca o vício e a dependência.
Conversar com nossos filhos, principalmente os adolescentes, é um ponto importante para contribuir neste uso consciente e racional. Afinal, a tecnologia é um instrumento de aproximação e construção do conhecimento e não deve ser de invasão ou dominação. Até a próxima semana, amigos!

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