Amigos, compartilho o artigo do amigo e fotógrafo Claudinei Fortes.

Como vai povo antenado? Aproveitando as férias? Espero que sim. Essa semana recebi um pedido para falar de moda. Expliquei para leitora que minha coluna fala mais especificamente da linguagem, dos termos usados na moda. Ela aceitou e rebateu dizendo que falar de termos da moda é o mesmo que falar de moda. Touché, querida leitora!!! Pois então,  vou falar um pouco da moda logicamente pautando a linguagem.

A INFLUÊNCIA DA MODA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA 

Não há nada mais eficaz do que a moda para dar expressão teatral à experiência alucinatória do mundo contemporâneo. É a moda que exibe, por meio de signos mutantes, a corporificação, a externalização performática de subjetividades fragmentadas, sem contornos fixos, movediças, escorregadias, mutáveis, flutuantes, voláteis. Em razão disso, a moda se constitui em laboratório privilegiado para o exame das subjetividades em trânsito. 

MODA reflete o Zeitgeist (ou espírito do tempo) de uma sociedade – as necessidades, desejos e aspirações das pessoas que nele vivem. ESTILO se refere `as escolhas individuais, características formais e funcionais, pelas quais esses desejos se tornam reais, sob a identificação autoral de cada criador.

Num mundo repleto de referências, com informação transbordando de todos os lados, cor, forma, textura, brilho, transparência, tema, são alguns atributos que definem o traço de estilo.

A análise, enxuta e concisa, de vários  criadores nas temporadas de desfiles, torna-se referência a ponto de indicar tendências que influenciam universos estéticos e transcendem a própria moda,  como decoração, arquitetura, arte, tecnologia, comportamento.

Nesse universo da moda, o termo recorrente Haute Couture  ( alta costura em francês ) causa grande curiosidade fora do grande circo.

Existem várias regras rigidíssimas para poder se classificar como um designer de alta costura.  

Como funciona este tal de Haute Couture? 

Antes de  tudo  gostaria de definir qual é a diferença entre alta costura e prêt-à-porter (pronto para levar, o que conhecemos bem e encontramos nas lojas).  De acordo com o Wikipedia, a alta costura “é a moda que é construída à mão (sem o uso de máquinas de costura) do início ao fim, feito com tudo da mais alta qualidade, tecidos primorosos, muitas vezes raros e costurado com extrema atenção aos detalhes e terminado pelas costureiras mais experientes e capazes, muitas vezes utilizando, técnicas manuais, árduas e lentas.”   Na alta costura existe só uma peça de cada modelo.

Chambre Syndicale

* A haute couture tem conceitos especiais e significa estilismo de alta qualidade. Para integrar o Chambre Syndicale de la Haute Couture, o couturier (estilista)  costuma criar modelos com base em uma tela, confeccionada em linho fino ou musselina, assinada. As explicações são de Georgina O’Hara Callan em seu livro Enciclopédia da Moda (Companhia das Letras)

* O primeiro Chambre Syndicale foi fundado em Paris, em 1868, para evitar o plágio dos modelos.

* Para pertencer a esse grupo seleto, as maisons ou estilistas precisam ter, no mínimo, 20 pessoas trabalhando nos ateliês, e preparar uma coleção com um número de modelos mínimo, definido pelo Chambre Syndicale de la Haute Couture.

* Os ateliês têm equipes de especalistas em pequenas e valorosas artes para confeccionar de botões a luvas, chapéus e outros acessórios.

* Alta costura é exclusividade, peça única, e não necessariamente vestidos de noite. Por isso, nas duas semanas anuais de haute, maisons como a Dior apresentam, também, modelos curtos, alfaitaria, tailleurs. O que conta, mesmo, é a exclusividade e a excelência da peça – do tecido ao acabamento, que deve ser perfeito.

  * A cada temporada, a maison deve apresentar uma coleção de pelo menos cinqüenta desenhos originais para o público, tanto para o dia quanto para à noite, em janeiro e julho de cada ano.

Conclusão 

Uma das principais características da moda é sua efemeridade. O trickle-down, teoria proposta por Simmel, é capaz de analisar a moda dos séculos XVI, XVII e XVII, porém, mostra-se deficitária para compreender o mecanismo da moda na contemporaneidade. O trickle-down afirma que a moda é um processo contínuo de inovação, sendo que as classes econômicas superiores adotam estilos que logo serão copiados por grupos subordinados, um fenômeno alicerçado na busca por diferenciação e posterior imitação. 

A utilização da teoria trickle-down, na contemporaneidade, exige o conhecimento do contexto cultural-social em que os fenômenos de imitação e diferenciação ocorrem, isto porque o vestuário possui uma forte função comunicacional, baseada na cultura na qual se estabelece. “O aporte de uma sensibilidade cultural para a teoria trickle-down lhe confere nova relevância para o estudo do comportamento contemporâneo em relação à moda.” 

Neste sentido, a difusão da moda deve ser entendida em um contexto mais amplo, sendo que a mesma pode ocorrer de baixo para cima, trickle-up, aonde os estilos da moda popular passam a ser adotados pela classes superiores “. O estilo gótico, por exemplo, que procede das classes populares e médias americanas e europeias e atualmente é uma referência entre alguns grandes costureiros de prestígio, como Karl Lagerfeld.” Além do trickle-across, aonde indivíduos pertencentes aos mesmos grupos sociais trocam de estilos, fato percebido na influência da cultura punk, na concepção do estilo glam rock. 

O caráter efêmero da moda na contemporaneidade culmina em um sistema de significados passageiros, onde o indivíduo busca se comunicar com a sociedade, expressando sua identidade através das roupas que usa e dos produtos que utiliza. Neste sentido, as marcas tornam-se vitais neste processo de reconhecimento e busca de aceitação. 

“A alta costura é a antítese de quebrar paradigmas. “

Karl Lagerfeld

 

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