Com Leona Cavalli e José Rubens Chachá no papel do casal de artistas mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera, espetáculo tem direção de Eduardo Figueiredo e fica em cartaz até 27 de março
A dramaturga Maria Adelaide Amaral reestreia o espetáculo “Frida Y Diego”, no Teatro Brasil Kirin, em Campinas, no dia 19 de março, às 21h e segue até dia 27 de março. A trama retrata a complexa e intensa relação dos fascinantes artistas mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera e o legado que deixaram na história da arte. A peça conta com direção de Eduardo Figueiredo, além da atriz Leona Cavalli interpretando Frida Kahlo e José Rubens Chachá como Diego Rivera. A produção local é da BR Produtora.
Com “Frida y Diego”, Maria Adelaide quebra o jejum de uma década sem um texto inédito para o teatro. O último texto da autora encenado nos palcos foi “Chanel” com Marília Pera. Com a atriz Leona Cavalli interpretando Frida Kahlo e José Rubens Chachá como Diego Rivera, o espetáculo narra o reencontro dos artistas depois de uma traumática separação. A trama narra uma fase conturbada da vida de Frida, quando já bastante doente e com muitas dores, voltou a morar com Diego, em casas vizinhas ligadas por um corredor.
Frida Kahlo e Diego Rivera viveram um grande e conturbado amor, ao mesmo tempo em que influenciavam, com sua arte latina, o mundo das artes plásticas europeu e americano na animada e confusa década de 30. A peça, recheada de conflitos, poesia, nostalgia e humor, tem Iluminação assinada por Guilherme Bonfanti, cenário, figurino e adereços por Márcio Vinícius e direção musical de Guga Stroeter.
A montagem
A dramaturga Maria Adelaide Amaral escreveu o texto do espetáculo sobre Frida Kahlo e Diego Rivera especialmente para o diretor Eduardo Figueiredo e o diretor de produção da peça, o ator Maurício Machado. “Eu sempre tive fascínio por Frida e Diego. Vi algumas exposições dela por esse mundo afora e quando fui ao México conheci pessoalmente a obra de Diego. Estive na Casa Azul duas vezes e visitei a casa deles em San Angel. Isso alguns meses antes do Eduardo e do Maurício me encomendarem a peça”, conta a autora. Maria Adelaide estudou profundamente a vida da dupla de artistas para escrever o texto. “Não é bem ficção. É teatro. E o tema foi intensamente pesquisado nos livros sobre Diego e Frida e em outros que me mandaram dos Estados Unidos e México”, completa Maria Adelaide.
Para a montagem, o diretor Eduardo Figueiredo focou na interpretação do elenco: “Esse espetáculo é dos atores, nós só vamos preparar a cama para eles se divertirem”. Ele optou por colocar música ao vivo na peça. No palco, dois músicos tocam acordeom e baixo. “Para mim, é fundamental que uma peça como esta tenha músicos em cena, o próprio Diego Rivera era um grande festeiro e a música, aqui, reforça a passionalidade da relação deles. Pretendo falar da humanidade presente destes dois grandes artistas. Outro aspecto importante é fomentar questionamentos, nesse contexto específico, temas tão contemporâneos como traição e lealdade”, comenta o diretor. Segundo Eduardo, a obra de Maria Adelaide apresenta, de forma explícita, o universo afetivo desses dois grandes artistas sem perder o panorama histórico que tanto os influenciaram. “A dramaturgia e o trabalho dos atores são o nosso norte no espetáculo!”, acrescenta.
O ator José Rubens Chachá, que completa 40 anos de carreira com esta montagem, observa: “Foi o melhor presente que poderia receber. Eu tenho um fascínio muito grande por personagens reais. Quando completei 30 anos de carreira, a Maria Adelaide me convidou para viver Oswald de Andrade no espetáculo “Tarsila”, também de sua autoria. Desta vez, o presente me surpreendeu ainda mais. Considero Oswald e Diego dois antropofágicos em suas artes tão diversas”.
Há nove anos sem participar de uma produção de teatro, a atriz Leona Cavalli comemora o retorno. “Frida foi sempre absolutamente avançada em sua arte e, na vida, ela teve a coragem de fazer da sua existência uma obra de arte com extrema inteligência, indo muito além da sua dor. É um privilégio trazer para a cena a humanidade dela. O texto da Maria Adelaide coloca a matéria prima da arte da Frida na dramaturgia, ou seja, a sua vida. Muitas coisas que estão escritas na peça foram ditas pela artista”, conta a atriz.
Sobre a história
Frida Kahlo foi uma artista única. Para muitos é considerada a pintora do século. Em 1913, com seis anos, contraiu poliomielite, a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo dos anos. Apesar de seu pouco tempo de vida, deixou obras magníficas e intrigantes que influenciam o mundo das artes até hoje. Sua trajetória também é tida como uma obra instigante e com grande poder de chamar atenção.
Desde criança Diego Rivera quis ser pintor e todos percebiam ter talento para isso. Ao ficar adulto, após estudar pintura na adolescência, participou da Academia de San Pedro Alvez, na Cidade do México, partindo para a Europa, beneficiado por uma bolsa de estudos, onde ficou de 1907 até 1921. Esta experiência enriqueceu-o muito em termos artísticos, pois teve contato com vários artistas da época, como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Juan Miró e o arquiteto catalão Antoni Gaudí, que influenciaram a sua obra. Nesta época, começou a trabalhar num ateliê em Madri, na Espanha. Acreditava que somente o mural poderia redimir artisticamente um povo que esquecera a grandeza de sua civilização pré-colombiana durante séculos de opressão.
Frida e Diego se casaram em 1929. Ela com 22 anos e ele com 43, era o terceiro casamento de Diego. Viveram uma relação muito conturbada, tanto pelos casos extraconjugais de ambos quanto por suas personalidades fortes e convicções artísticas e políticas. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, mesmo ela sendo casada, mas não aceitava os casos da esposa com homens. O casamento era cheio de brigas e confusões, também pelo fato de Rivera querer filhos e Frida, que enfrentava problemas de saúde desde muito jovem devido a um sério acidente sofrido na adolescência, não conseguir engravidar. Durante o relacionamento dos dois, Frida sofreu muitos abortos, inclusive.
O ápice da separação aconteceu quando Rivera envolveu-se com sua cunhada, Cristina, e tornou-se amante dela. Ficaram muitos anos juntos e tiveram seis filhos. Frida apanhou-os na cama, tendo um ataque histérico e cortando os próprios cabelos. Como vingança, o atormentou, passando a persegui-lo e odiar a irmã. Muito abalado com tudo, Diego abandonou os filhos e Cristina, que foi embora. Depois acabou indo atrás de Frida, mas não teve sucesso na reconquista e passaram a ser inimigos. Rivera continuou com sua vida de antes, muitas bebidas e amantes, inclusive saía com prostitutas, mas sempre pensando em Frida. Após um período separados, Frida e Rivera se reconciliaram. Os dois moraram em casas vizinhas conectadas por um corredor até a morte de Frida em 1954, aos 47 anos. A Casa Azul, como ficou conhecida, abriga hoje o Museu Frida Kahlo, na Cidade do México, e conserva tudo como os dois deixaram. Lá é possível encontrar cartas de amor trocadas pelo casal e diversos objetos do cotidiano dos dois.
Sinopse
A peça fala do casamento e da relação entre Frida Kahlo e Diego Rivera. Uma história de paixão e cumplicidade. Com todos os dramas, rupturas e reconciliações, era uma relação de liberdade e amor incondicional. O espetáculo se passa entre o período de 1929 a 1953, no México, França e Estados Unidos, onde viveram e trabalharam a conturbada relação do casal, as mútuas infidelidades, personalidades fortes e as suas convicções artísticas e políticas.
Ficha Técnica
Texto: Maria Adelaide Amaral. Direção: Eduardo Figueiredo. Elenco: Leona Cavalli e José Rubens Chachá. Direção musical e trilha: Guga Stroeter e Matias Capovilla. Músicos: Wilson Feitosa (acordeom) e Mauro Domenech (baixo acústico). Direção de arte – cenografia, figurinos e adereços: Marcio Vinicius. Visagismo: Anderson Bueno. Desenho de luz: Guilherme Bonfanti. Assistência de direção: Alex Bartelli. Direção de movimento: Renata Brás. Estágio de direção: Eric Mourão. Programação visual: Vitor Vieira. Projeto de vídeo e projeções: Jonas Golfeto. Fotos de divulgação:Gabriel Wickbold. Fotos de cena: Lenise Pinheiro. Produção executiva: Ton Miranda. Gerência de produção: Bia Izar.Direção de produção: Maurício Machado. Realização e produção: manhas & manias eventos. Produção local: BR Produtora
Biografias
Sobre a Produtora Nacional – Manhas & Manias de Eventos
A produtora que realizou mais de duas dezenas de produções para o teatro em seus quase 20 anos de existência, tem, desde julho de 2014, na cidade de São Paulo, a gestão e administração do Teatro J. Safra. Para 2015, a produtora está à frente de outros projetos inéditos: ‘Gatão de Meia-Idade’, da obra de Miguel Paiva, pela primeira vez no teatro depois da adaptação para o cinema, com estreia nacional no Rio, no Teatro Clara Nunes; ‘M, O Vampiro de Düsseldorf’, primeira adaptação mundial para o palco do clássico filme do expressionismo alemão, de Fritz Lang, que terá adaptação para o palco de Fernando Bonassi, direção de Ulysses Cruz e Stênio Garcia e Maurício Machado encabeçando um elenco grandioso, com estreia nacional em setembro no Teatro João Caetano, no Rio; ‘O Veneno do Teatro’, texto premiado em mais de 62 países, com direção internacional do maior encenador da Espanha, Mario Gas; A comédia ‘Procuro o homem de minha vida, marido já tive’, da autora argentina Daniela Di Segni, com Adriane Galisteu, Carol Castro e Regiane Alves; ‘Aprendiz de Feiticeiro’, infanto-juvenil a partir do conto de Goethe, com adaptação de Walcyr Carrasco e direção de Eduardo Figueiredo; ‘Rapunzel’, remontagem do texto infantil de Walcyr Carrasco; e ‘Kafka, Primeiro Movimento’, texto de Fernando Bonassi a partir de obras de Franz Kafka. Neste espetáculo, os sócios-artistas Maurício Machado e Eduardo Figueiredo, se reencontrarão no palco. Maurício atuará neste solo com direção de Eduardo.
Sobre a Produtora Local – BR Produtora
A BR Produtora, criada pelo produtor cultural Radamés Bruno, com mais de 30 anos de experiência, tem realizado inúmeras ações culturais em todo Brasil. À sua história somam-se mais de 1.200 eventos e espetáculos apresentados, entre eles o maior fenômeno do teatro brasileiro, a peça “Trair e Coçar é só Começar”, de Marcos Caruso, que em março de 2016, completa 30 anos de apresentações ininterruptas.
A empresa tem em sua história turnês de renomados artistas brasileiros, entre eles Marisa Monte e o ícone Roberto Carlos, além de artistas internacionais, como Deep Purple, Roger Hodgson (Supertramp) e Julio Iglesias, e ainda realiza exposições internacionais como “O Fantástico Corpo Humano”.
Serviço
Data: 19 a 27 de março
Horários: sábados às 21h, domingo às 18h
Local: Teatro Brasil Kirin – Shopping Iguatemi Campinas
Endereço: Av. Iguatemi, 777 – Vila Brandina
Preços: Sábados – R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)
Domingos – R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada)
Bilheteria: de terça-feira a sábado, das 13h às 21h, e domingos das 12h às 20h, ou pelo site ingresso.com.br
Indicação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos
Informações: (19) 3294-3166, www.teatrobrasilkirin.com.br e www.brprodutora.com
Classificação indicativa: 14 anos
Lotação: 515 pessoas