Central que acompanha em tempo real o fornecimento de energia a mais de 7 milhões de clientes no interior de São Paulo avança no uso da inteligência artificial para antecipar interrupções e garantir respostas rápidas diante de eventos climáticos cada vez mais severos

Há 50 anos, uma sala com computadores gigantes e telefonemas entre subestações inaugurava uma nova forma de monitorar a rede elétrica. Meio século depois, o Centro de Operação do Sistema (COS) da CPFL acompanha, em tempo real, o fornecimento de energia para mais de 7 milhões de clientes no interior do Estado de São Paulo. Hoje, a estrutura se prepara para dar um novo salto, avançando no uso da inteligência artificial para antecipar ocorrências e ampliar a capacidade de resposta diante de eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes.
A trajetória do COS é marcada pelo pioneirismo. Na década de 1970, os primeiros computadores tinham apenas 54 KB de memória e os programas rodavam em fitas perfuradas. Foi nesse contexto que a CPFL implantou alguns dos primeiros sistemas de telecomando do Brasil. Anos depois, sistemas digitais integrados permitem acompanhar milhares de informações simultaneamente e apoiar decisões operacionais em segundos. Automação da rede, sensores inteligentes, subestações digitais, sistemas avançados de inspeção e, mais recentemente, inteligência artificial passaram a fazer parte dessa evolução.
Tecnologia transforma também o papel das pessoas
Se a tecnologia mudou radicalmente, o mesmo ocorreu com o papel dos profissionais que atuam no COS. Operadores que antes dependiam de telefonemas e registros manuais trabalham hoje em um ambiente altamente digitalizado, que exige capacidade analítica, visão sistêmica e rapidez na tomada de decisão.
As telas mostram o que está acontecendo na rede, mas é a interpretação das informações, muitas vezes combinada ao contato direto com as equipes de campo e com os próprios clientes, que transforma dados em decisões e soluções. “O operador do futuro será cada vez mais um gestor da complexidade”, resume Rolands Saretta Menezes, diretor de Operações da CPFL Energia.
Essa transformação também vem acompanhada por uma maior diversidade entre os profissionais que constroem diariamente a operação. Em uma área
historicamente marcada pela predominância masculina, a presença feminina vem crescendo de forma consistente. Há menos de dez anos, apenas quatro ou cinco mulheres atuavam diretamente na operação do COS. Hoje, são mais de 20 profissionais, ampliando a diversidade de experiências e perspectivas em uma atividade cada vez mais estratégica para o sistema elétrico.
Entre elas está Rebeca Neves, primeira mulher a assumir a posição de supervisora na área. Formada em Engenharia Elétrica, Rebeca iniciou sua trajetória no COS como operadora de emergência e hoje soma três anos de dedicação à empresa. Sua trajetória representa uma transformação que vai além da tecnologia e reforça a evolução do próprio perfil das equipes que constroem o futuro da operação.
“Mais do que uma conquista pessoal, vejo isso como uma oportunidade de inspirar outras mulheres a ocupar espaços historicamente ocupados por homens. Além disso, a presença feminina ajuda a quebrar paradigmas — como supervisora mulher, contribuo para mostrar que a mulher pode estar onde ela desejar, e que competência técnica não tem relação com gênero”, resume Rebeca.
Uma operação preparada para antecipar o futuro
O setor elétrico vive uma transformação marcada por consumidores que também produzem energia, veículos elétricos, sistemas de armazenamento e redes cada vez mais inteligentes. Segundo Rolands, essa evolução já está refletida na estratégia da companhia. “O Centro de Operação do futuro não vai apenas operar a rede. Ele terá que antecipar o comportamento da rede diante de eventos climáticos cada vez mais intensos”, afirma.
Um exemplo concreto dessa capacidade de resposta ocorreu no temporal que atingiu Ribeirão Preto e região em 24 de julho. Em poucos minutos, o Centro de Operação dimensionou a extensão das ocorrências, mobilizou equipes e acionou recursos de automação para recompor remotamente parte da rede, contribuindo para reduzir o impacto sobre os clientes.
No futuro próximo, sistemas inteligentes deverão interpretar grandes volumes de informações, recomendar ações e, em determinadas situações, executar automaticamente decisões previamente configuradas. O planejamento estratégico 2026–2030 da CPFL prevê justamente esse avanço: transformar a companhia em uma smart utility, com expansão de smart meters, telecomunicações, automação da distribuição e digitalização de subestações. A evolução ampliará a capacidade de monitorar e controlar a rede remotamente, reduzindo a dependência de intervenções e deslocamentos manuais.
Nesse cenário, o papel das pessoas muda, mas não diminui. O operador do futuro tende a dedicar menos tempo a atividades repetitivas e mais tempo à supervisão de sistemas automáticos, ao tratamento de exceções e à tomada de decisões de maior complexidade. Segurança, análise e gestão de situações críticas permanecem dimensões em que tecnologia e conhecimento humano precisam atuar de forma complementar.
Os resultados esperados dessa transformação são concretos: redução da duração e da frequência das interrupções de energia — medidas pelos indicadores DEC (que mede a duração de interrupções do fornecimento de energia) e FEC (que mede a frequência das interrupções) —, além de ganhos em segurança, eficiência operacional e velocidade na resposta às contingências. Na prática, significa uma rede mais resiliente e uma experiência cada vez melhor para o cliente.
Depois de cinco décadas de evolução, o princípio que orienta o COS permanece baseado justamente nessa combinação entre capacidade humana e inovação. “O COS é um centro de pessoas, processos e tecnologia”, resume o executivo.
Sobre a CPFL Energia
Com 113 anos de atuação, a CPFL Energia é um dos maiores grupos privados do setor elétrico brasileiro, com presença nos segmentos de distribuição, geração, transmissão, comercialização e serviços.
Atende cerca de 10,7 milhões de clientes em 687 municípios nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, sendo a maior distribuidora do país em volume de energia fornecida, com mais de 13% de participação no mercado nacional.
Na geração, possui 4.226 MW de capacidade instalada, 100% proveniente de fontes renováveis. A companhia opera ainda 6.400 km de linhas de transmissão e 88 subestações. Por meio da CPFL Soluções, oferece soluções integradas em energia, como comercialização, gestão, eficiência, infraestrutura e geração distribuída.
Com ações listadas no Novo Mercado da B3, a CPFL também se destaca por seus investimentos sociais nas áreas de cultura, esporte e educação, por meio do Instituto CPFL. Desde 2017, faz parte da State Grid, maior empresa de energia elétrica do mundo.