O músico Felipe Antunes, da banda Vitrola Sintética, se apresenta na quinta-feira, dia 15 de junho, às 21h, no Sesc Jundiaí. No show, inédito na cidade, ele estará acompanhado da cantora Ná Ozzetti, uma das vozes mais importantes da música brasileira. O espetáculo apresenta canções de seu primeiro disco solo, “Lâmina”, lançado em 2016 e eleito o 60º melhor álbum do ano segundo o Prêmio Melhores da Música Brasileira.

O trabalho explora gêneros como o samba, o rock e até a música caipira. No palco, ele é acompanhado por Meno del Picchia (baixo), Marcelo Castilha (piano), Kezo Nogueira (bateria) e Leonardo Mendes (violões e guitarra). Com Ná, Felipe vai repetir o dueto registrado em disco, na faixa “Esse Moço”, e em canções inéditas, como “Epidemia”, cuja letra dialoga fortemente com os recentes acontecimentos políticos, especialmente as eleições de Donald Trump nos Estados Unidos, o Brexit na Inglaterra e a ascensão de “não políticos” no Brasil.

Os ingressos já estão à venda pela internet e na bilheteria da unidade. Os valores variam de R$ 6,00 (credencial plena) a R$ 20,00 (inteira).

Sobre “Lâmina”

Gravado no estúdio Submarino Fantástico, em São Paulo, entre junho de 2015 e março de 2016, “Lâmina” apresenta 12 canções inéditas do músico paulistano, que no ano passado foi indicado, junto com o Vitrola, ao Grammy Latino de 2015 nas categorias Melhor Artista Novo e Melhor Engenharia de Som. A capa traz uma imagem do premiado fotógrafo espanhol Chema Madoz.

Timbres e sonoridades se misturam em um trabalho que nunca se acomoda. Há a introspecção e a economia violão e voz de “Vai Por Mim” – uma quase bossa sobre uma quase fossa – e a há a exuberância rítmica de “Essa Moça”. Artista interessado no processo, Felipe experimentou gravar uma música em fita cassete, em sua própria casa. O resultado aparece em três faixas – “Pretensão”, “Cru” e “Veio do Tempo” – tira o ouvinte do comodismo de um som acertado em estúdio e lhe permite conhecer – e admirar – a imperfeição de uma forma esquecida de gravar.

Já na primeira faixa do disco, porém, o ouvinte não encontra Felipe, e sim sua vó, dona Natália, 84, que canta uma composição antiga, de autor desconhecido, que ela costumava entoar na escola e que, volta e meia, ela continua cantando no ambiente familiar. Felipe cresceu com essa melodia – e com a voz da avó – e registrá-la já na abertura é uma forma de registrar também seu despertar musical.

Na sequência, a voz de Felipe surge, mas ainda não está sozinha, e sim acompanhada do vocal inconfundível de Helio Flanders, do Vanguart. Ambos levam juntos “Telepatizar”, que faz acenos à música caipira, o gênero que Felipe, nascido em São Paulo e crescido em Bragança, sempre admirou.

Em “Esse Moço”, ele também não participa: são as cantoras Ná Ozzetti e Juliana Perdigão que travam o duelo intenso, irônico e teatral orientando pela letra e pelo arranjo algo circense. A partir dessa parceria, Felipe tem se debruçado sobre a questão da ampliação do espaço das mulheres na sociedade e como poderia contribuir para a discussão.

E há Felipe Antunes em seu estado mais bruto. Sua personalidade artística – a voz grave, a poesia observadora, seus arranjos surpreendes estão em músicas como “Bastava” (parceria dele com Meno) e “Acomodar”, que aquietam o lado experimental e despertam sua faceta de “artesão pop”, que ele já anunciava nas composições gravadas com o Vitrola. “Foi uma fase de intenso fluxo criativo. Escrevi muitas canções e, na verdade, de fora do Vitrola – e que eu aproveitei aqui -, acredito que só foi a canção “Bastava”. As demais foram compostas quando as canções do “Sintético” já estavam escolhidas e em gravação”.

A escolha das participações especiais passou pelo crivo emocional e pela relação de admiração e parceria com os convidados. “Tenho muito que ressaltar a boa vontade de todos em manter – e as vezes buscar – a pessoalidade e intimidade no disco. As canções de estúdio buscaram sempre as primeiras sensações dos músicos que convidei; sem ensaio. Pra ter uma ideia, o Thomas gravou “passando”, como a gente costuma dizer. O Luca disse: – Vamos passar?, e ele respondeu: – Vamos gravar! Isso tudo foi muito importante pra mim. Foi muito calmo trabalhar com outros músicos que não os parceiros do Vitrola. Primeiro por já ter admiração e/ou amizade com/por todos(as). Segundo porque o Vitrola esteve – e está – sempre perto, quando não junto! Gravei no estúdio do Ota [o Sumbarino Fantástico, local onde nomes como Gustavo Galo e Tatá Aeroplano também gravam seus álbuns], ele também toca em algumas faixas, e o Kezo, após a gravação do “Lâmina”, se juntou ao Vitrola. O Rodrigo Fuji só não tocou alguma coisa porque não bobeou perto do estúdio na época; ele certamente não teria escapado!”.

E “Lâmina” é, literalmente, mais que um disco: é um “disco-livro”, em que Felipe expõe poemas, fotos e as letras das músicas que integram o álbum. Dentro do livro, lançado pela editora Urutau, o ouvinte recebe o CD em formato tradicional. Essa aproximação com a literatura se dá, também, na música. A faixa “Veio do Tempo”, por exemplo, é Felipe declamando um poema em quatro partes.  Outras canções do disco, como “Cru” e “Esse Moço”, nasceram poemas e só depois foram musicalizadas.  “A ideia de lançar um disco-livro surgiu naturalmente num papo com o Tiago Fabris Rendelli, sócio da Urutau. Falei da minha intenção de provocação poética, e foi orgânica nossa ideia de fusão entre as artes”, explica Felipe.

Sobre Felipe Antunes

Felipe Antunes, 33, é músico, compositor e vocalista da banda Vitrola Sintética. Ao lado de Otávio Carvalho (baixo e programações) e Rodrigo Fuji (guitarra e piano), o grupo lançou em 2015 seu terceiro disco, “Sintético”, que levou o trio a ser indicado em 2 categorias gerais do Grammy Latino: Melhor Artista Revelação e Melhor Engenharia de Gravação.

Duas canções de autoria de Felipe Antunes foram destaques em 2015. O prêmio Melhores da Música Brasileira elegeu “Sintético” o 34º melhor álbum de 2015 e a canção “Faz Um Tempo, a 2ª melhor do ano; o programa “Ouve Essa”, apresentado pelo crítico Ricardo Alexandre na Rádio 89FM, escolheu a música “Duvido Não Depois” como a 2ª melhor canção nacional do ano passado.

“A voz de Felipe Antunes vai na contramão de todos os trinados que nos acostumamos a ouvir nessa época de programa de calouros disfarçados em reality shows (mesmo os que chamam bandas de rock para a brincadeira…). E as letras das músicas, bem… que diferença poder ouvir alguém cantando sobre alguma coisa além do último fora que o cantor deu ou levou – ou as promessas de reconciliação depois desse fora. Modernos, mas ao mesmo tempo quase atemporais”. ZECA CAMARGO

Os arranjos são minimalistas e a voz de Felipe Antunes parece escorregar pela harmonia de violões dedilhados, acordes espaços de guitarra, baixo e bateria em sinergia quase cardíaca.”O ESTADO DE S. PAULO

Feliz é o corpo técnico da Academia Latina de Gravação ao mirar seus holofotes sobre o trabalho dos rapazes do Vitrola Sintética. Para eles, pode ser que nada tenha mudado. Mas, para nós, abre-se uma chance de valorizar uma obra e tanto. E “Faz Um Tempo” é a melhor canção de amor de 2015”. EMANUEL BOMFIM, O ESTADO DE S. PAULO

 

Sobre o Sesc (Serviço Social do Comércio) – uma instituição brasileira privada, sem fins lucrativos, mantida pelos empresários do comércio de bens, serviços e turismo, voltada prioritariamente para o bem-estar social dos seus empregados e familiares, mas aberto à comunidade em geral. Atua nas áreas da Educação, Saúde, Lazer, Cultura e Assistência. Foi criado em 1946. Em Jundiaí, a unidade está instalada desde 18 de abril de 2015. O horário de funcionamento é de terça-feira a sexta-feira das 9h às 22h e sábado, domingo e feriados das 10h às 19h. O Sesc Jundiaí fica na Av. Antonio Frederico Ozanam, 6600. Informações: (11) 4583-4900.

 

Serviço

Lançamento: Felipe Antunes, “Lâmina”, no Sesc Jundiaí

Data:  15 de junho, quinta-feira, às 21h

Duração: 70 minutos

Local: Sesc Jundiaí

Endereço: Antônio Frederico Ozanan, 6600 – Jardim Botânico

Site do artista: http://felipeantunes.com

Valor do Ingresso: R$ 6 a R$ 20 – Venda Online:http://bit.ly/felipeantunes_sescjundiai

Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos

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