Desenvolvida em parceria com a ANDI – Comunicação e Direitos, publicação subsidia coberturas éticas e apoia a 26ª edição do Prêmio FEAC de Jornalismo, que distribuirá R$ 50 mil em prêmios

Com o objetivo de fortalecer uma abordagem ética, humanizada e aprofundada na imprensa, a Fundação FEAC lança o “Guia para uma comunicação responsável sobre violência de gênero”. Elaborada pela instituição com a ANDI – Comunicação e Direitos como parceira executiva, a publicação surge da urgência de qualificar o debate público e combater a naturalização de violências que afetam mulheres em diferentes dimensões sociais, comunitárias e territoriais.

A iniciativa parte da reflexão de que a comunicação tem papel decisivo na forma como a sociedade compreende e enfrenta esse problema. Narrativas sensacionalistas ou descontextualizadas tendem a culpabilizar a vítima, justificar agressores e restringir o assunto à esfera meramente policial. O guia propõe deslocar esse olhar: transformar o foco no crime isolado para o entendimento do fenômeno social estrutural que o sustenta, preservando a dignidade e os direitos das mulheres. 

“A imprensa tem o poder de ir além da notícia e contribuir para mudanças sociais concretas. Ao abordar a violência de gênero de forma ética, qualificada e humanizada, o jornalismo ajuda a romper o silêncio, desconstruir preconceitos e ampliar o acesso à informação e aos direitos. Com este guia, queremos inspirar e fortalecer profissionais da comunicação para que suas narrativas sejam também instrumentos de conscientização, prevenção e transformação social”, afirma Layza Mesquini, gerente executiva de Comunicação e Relações Institucionais da Fundação FEAC. 

Na prática, o material atua como uma ferramenta de apoio a jornalistas, comunicadores e estudantes da área. A publicação reúne análises sobre termos estigmatizantes e manchetes que responsabilizam as mulheres, orientações para evitar a revitimização na escolha de títulos e imagens, e recomendações sobre o respeito à identidade de gênero. Além disso, detalha diferentes manifestações de agressão, incluindo a violência vicária (quando o agressor utiliza pessoas ou seres queridos pela vítima como instrumento para causar sofrimento, punição, controle ou vingança) e os crimes no ambiente virtual, como perseguição (stalking), exposição não consentida de imagens íntimas e deep nudes (imagens manipuladas por Inteligência Artificial). 

O documento traz ainda um levantamento detalhado dos principais marcos normativos de proteção (como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio e a Lei Rose Leonel), um guia de fontes com canais institucionais e redes de apoio locais e nacionais, além de um banco de sugestões de pautas. Entre as ideias sugeridas, destacam-se discussões sobre a sobrecarga da política de cuidados, autonomia econômica das mulheres e iniciativas de prevenção e desconstrução de padrões de gênero na infância e juventude.

“O guia é uma ferramenta essencial para instrumentalizar jornalistas e estudantes de comunicação na construção de uma cobertura ética e qualificada sobre violência contra as mulheres e feminicídio no país. A imprensa precisa atuar como uma aliada: denunciar, cobrar políticas públicas do Estado e, fundamentalmente, informar canais e serviços onde as sobreviventes possam buscar apoio e acolhimento”, ressalta Mabel Dias, jornalista e consultora da ANDI – Comunicação e Direitos.

Ela chama atenção para a necessidade de afastar abordagens meramente policiais e sensacionalistas, compreendendo as raízes e a complexidade que envolvem o ciclo da violência, além dos desafios contemporâneos. 

“Essa mulher muitas vezes enfrenta o medo e a dependência financeira ou emocional; ela não está naquela situação porque quer. É papel do jornalismo ir além do fato pontual e provocar a reflexão social sobre o porquê dessas agressões acontecerem. O guia também responde a uma demanda muito urgente ao aprofundar as manifestações de violência digital e apresentar as leis que amparam as mulheres na internet, para que a mídia saiba noticiar com precisão, acolhimento e responsabilidade”, conclui Mabel. 

O Guia para uma comunicação responsável sobre violência de gênero pode ser baixado gratuitamente no link: Comunicação Responsável sobre Violência de Gênero | FEAC

Conexão com o 26º Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo

O lançamento do guia dialoga diretamente com a 26ª edição do Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo, que em 2026 traz como eixo central o tema “Violência de Gênero: Convivência em Risco, Futuro em Jogo”. A premiação reconhece reportagens e conteúdos que ampliam a visibilidade sobre as causas estruturais da violência, valorizam iniciativas de enfrentamento e incentivam relações mais equitativas e seguras.

Com inscrições abertas até 20 de outubro de 2026 pelo site da instituição, o prêmio distribuirá R$ 50 mil entre as modalidades Jornalismo, Profissional da Comunicação, Universitário e Social. Podem concorrer trabalhos veiculados na Região Metropolitana de Campinas (RMC) ou em meios digitais com alcance regional.

SERVIÇO

Guia para uma Comunicação Responsável sobre Violência de Gênero (2026) 

Acesso gratuito: Disponível para download no portal da Fundação FEAC.

26º Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo:

Inscrições gratuitas: Até 20 de outubro de 2026

Regulamento e inscrições: https://feac.org.br/26-premio-fundacao-feac-jornalismo 

Sobre a Fundação FEAC

A Fundação FEAC é uma organização independente, sediada em Campinas (SP), que atua na redução das desigualdades e na promoção do desenvolvimento social. Após seis décadas de atuação sólida na Região Metropolitana de Campinas (RMC), em 2025 realizou a sua transição definitiva de mantenedora para investidora social estratégica e articuladora sistêmica do ecossistema social, apoiando Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e fortalecendo os debates e ações para a implantação e melhorias de políticas públicas. Sua atuação é focada em três grandes pilares: Acesso a Direitos Sociais; Inclusão Produtiva; e Convivência Familiar e Comunitária Saudável. Gerida por um Conselho Curador e uma Diretoria Executiva, a instituição conta com uma equipe técnica especializada em suas áreas programáticas para orientar seus investimentos. Em 2025, mobilizou mais de R$ 34 milhões em recursos próprios para o desenvolvimento e apoio a projetos no município, sem o uso de verbas públicas. Saiba mais em: https://feac.org.br/ 

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