Nesta quinta, 17 de setembro de 2026, um dos vestidos mais emblemáticos de Yves Saint Laurent vai a leilão e “O príncipe da Babilônia”, de Marianne Vic, sobreinha de Yves Saint Laurent, conta como nasceu a ideia por trás dessa criação. Uma peça do célebre vestido Mondrian, da coleção de alta-costura 1965–66, será colocado à venda em Nova York. A peça, que transportou para a moda a geometria e as cores associadas à obra do pintor Piet Mondrian, tem valor estimado entre US$ 200 mil e US$ 500 mil.

A história dessa criação começa no Natal de 1964. Em “O príncipe da Babilônia”, Marianne Vic recria o momento em que Lucienne, mãe de Yves Saint Laurent, presenteia o filho com um livro, a biografia do pintor Piet Mondrian por Michel Seuphor. Ao folheá-lo, o estilista encontra a inspiração para aplicar aos vestidos a geometria abstrata e as cores primárias de Mondrian.

Apresentados na coleção de 1965, os vestidos Mondrian ajudaram a aproximar definitivamente moda e arte. Décadas depois, algumas peças integram acervos como os do Metropolitan Museum of Art, do Victoria and Albert Museum e do Musée Yves Saint Laurent.

E agora, mais de 60 anos depois de sua criação, um desses vestidos volta aos holofotes.

Quem realmente foi Yves Saint Laurent? O livro “O Príncipe da Babilônia” é uma leitura reveladora, íntima e inesperada. Um mergulho sem travas na intimidade do grande estilista. O que mais há para escrever sobre Yves Saint Laurent, o protagonista incontornável da costura francesa? Tudo, ou quase. Pesada demais, a verdade do homem permanece oculta na parte sombria do mito.

Quem era Yves, o pequeno argelino de olhos perspicazes? Um menino negligenciado, nascido com uma carga impossível de ser carregada nessa Argélia francesa estruturada pela depredação. Como, em tal contexto, esse jovem pied-noir de classe média pôde elaborar o sonho de se tornar um estilista célebre?

Marcado pelos traumas da violência que sofreu quando criança, Yves Saint Laurent foi movido ao longo de sua vida por um desejo vital de vingança, onde a riqueza e a fama consolavam, mas a loucura sempre foi dominadora. Neste O príncipe da Babilônia, a autora Marianne Vic — sobrinha de Yves Saint Laurent, e que teve grande proximidade com o companheiro dele, o empresário e colecionador de arte Pierre Bergé —, conta de vários ângulos a história de um dos nomes mais significativos da alta-costura do século XX, revelando o percurso de um homem moldado pelo ódio de si mesmo e pelo desprezo do outro.

A narrativa tecida de glória e desolação, bordada com segredos. Entre o mito e a verdade, Marianne nos descortina um corolário de sevícias, infortúnios, humilhações, folias e apogeu criativo, sexo e paraísos artificiais, cumes de cultura e arte, ante a inevitável derrocada. Testemunha privativa dos cenários na mítica residência parisiense da rue de Babylone, Marianne nos traz uma elegante catarse repleta de segredos de alcova.

O príncipe da Babilônia, de Marianne Vic, nos permite olhar por uma luz menos glamorosa, revelando o lado obscuro do estilista, sem apagar o brilho de sua trajetória inigualável.

Sobre a autora:

Marianne Vic nasceu em Paris em 1965. Sobrinha do estilista Yves Saint Laurent — criador da grife parisiense de mesmo nome — Marianne Vic cresceu ao redor do mundo da moda. Seu primeiro romance, Les Mutilés foi lançado em 2013 pela Éditions des Equateurs. Em 2018 lançou seu segundo romance, Rien de ce qui est humain n’est honteux, sobre a história da família Saint Laurent e, em 2020, Guerre et Père, ambos pela Éditions Fayard. Em abril 2023, foi agraciada com o prêmio literário francês Pampelonne Ramatuelle pela obra O príncipe da Babilônia.

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