Mostra do projeto Espaços Educadores reuniu especialistas, educadores e poder público para celebrar o impacto direto na rotina de cerca de 8 mil crianças



Mostra Espaços Educadores levou ao SME objetos que agora integram creches e escolas e propõem uma nova forma de convìvio – Crédito: Ricardo Lima
Sob a premissa fundamental de que o ambiente físico também é um agente ativo no processo educativo, a Fundação FEAC encerrou o mês de agosto com a Mostra Espaços Educadores, no Centro de Eventos da Secretaria Municipal de Educação (SME), um encontro que marcou a conclusão oficial de duas edições consecutivas do projeto homônimo que visa fortalecer a primeira infância por meio da qualificação estética, espacial e formativa em escolas colaboradoras de Educação Infantil do município, contando com a parceria de Organizações da Sociedade Civil (OSCs). O evento reuniu cerca de 500 profissionais que atuam na área da Educação.
Ao longo de sua trajetória, o projeto consolidou uma transformação de grande escala na rede conveniada de Campinas. A iniciativa alcançou a marca de 365 salas de referência e 37 refeitórios completamente requalificados com mobiliários ergonômicos e acessíveis, pensados na escala e nas necessidades das crianças. Paralelamente às intervenções estruturais, a formação continuada capacitou mais de 900 educadoras em 800 horas de formação acumuladas, beneficiando diretamente cerca de 8.000 bebês e crianças de 0 a 6 anos atendidos pelas instituições.
De acordo com Bruna Demonico, analista de projetos na Fundação FEAC, a proposta foi além da reforma de espaços. “O projeto nasceu da convicção de que o espaço físico não é neutro: ele comunica, acolhe e educa. Ao aliar a transformação da infraestrutura e dos mobiliários a uma formação continuada e consistente das educadoras, conseguimos qualificar a experiência diária de milhares de bebês e crianças. Não se trata apenas de mudar mesas ou salas, mas de devolver às crianças a autonomia de escolha, a convivência em pequenos grupos e a garantia de um desenvolvimento integral com equidade”, destaca.
Transformações nas salas e nos refeitórios
A proposta do projeto Espaços Educadores dividiu-se em duas etapas complementares que dialogaram com diferentes momentos da rotina escolar. Na primeira edição (2023/2024), o foco recaiu sobre as salas de referência, a mudança de paradigma pedagógico e o fortalecimento do protagonismo infantil nas propostas pedagógicas. As equipes tiveram oportunidade de rever a organização de grupos e dinâmicas de alimentação, garantindo às crianças maior independência e ergonomia, favorecendo o desenvolvimento de habilidades relacionadas a esse processo.
A partir do diagnóstico inicial, as salas ganharam contextos investigativos mais ricos, com redução do uso excessivo de plásticos e priorização de materiais naturais e elementos do cotidiano que convidam à exploração e à autonomia infantil. A formação estimulou nas equipes pedagógicas uma observação mais apurada dos interesses e do tempo das crianças, tornando as propostas diárias mais intencionais e participativas.
Na segunda edição (2025/2026), o projeto estendeu seu olhar para os momentos de alimentação e a ambiência dos refeitórios escolares. A intervenção transformou esses locais em espaços humanizados e acolhedores, rompendo com lógicas massificadas. As equipes foram orientadas a reorganizar os horários e fluxos em pequenos grupos, garantindo que as crianças pudessem escolher seus lugares, alimentos e utensílios com maior independência. A etapa aprofundou ainda o debate sobre diversidade e inclusão, capacitando as profissionais para acolher especificidades e apoiar bebês e crianças neurodivergentes, com deficiência ou com seletividade e restrições alimentares. Assim, quem vivencia o dia a dia escolar, já percebeu que as mudanças refletiram diretamente no comportamento e bem-estar dos pequenos.
Diálogo sobre políticas públicas e legado
A programação da Mostra reuniu dirigentes de organizações sociais, profissionais da educação e representantes do poder público, como a Secretaria Municipal de Educação e o programa Primeira Infância Campineira (PIC).
Para Lina Pimentel, diretora socioeducativa da Fundação FEAC, o projeto consolida um impacto permanente na rede parceira do município. “A FEAC atua fortemente orientada ao acesso a direitos e à convivência familiar e comunitária. Reconhecer a qualificação do espaço como um agente tão essencial quanto a própria linha pedagógica foi determinante. Conseguir cobrir a maior parte das escolas colaboradoras que executam a Educação Infantil significa promover uma mudança de fato sistêmica em Campinas”, afirma.
Lina destaca também que a conclusão das duas edições aponta para os novos horizontes da atuação social. “Ao vivenciar ambientes pensados com afeto e intencionalidade, o nível de exigência e autonomia dessas crianças sobre a vida também se eleva. Concluímos essas etapas com a rede integralmente atendida, e a nossa reflexão contínua agora é reforçar a escola como um dos atores centrais de uma rede intersetorial que tem como foco o desenvolvimento integral das crianças”, complementa.
Além dos debates com as instituições parceiras e executoras — Ateliê Quero-Quero, Oribá Educacional e InSaberes —, o encontro exibiu os minidocumentários gravados em cinco escolas, retratando casos emblemáticos de transformação cotidiana.
Como legado permanente para a rede de ensino, o evento anunciou a publicação do material formativo “Do colo à mesa: alimentação do 0 aos 6 anos em espaços coletivos”, sistematizado a partir dos conteúdos pedagógicos trabalhados na segunda edição. A obra será distribuída em breve a todas as unidades participantes para apoiar a sustentabilidade e a replicação das práticas desenvolvidas ao longo do projeto.
Sobre a Fundação FEAC
A Fundação FEAC é uma organização independente, sediada em Campinas (SP), que atua na redução das desigualdades e na promoção do desenvolvimento social. Após seis décadas de atuação sólida na Região Metropolitana de Campinas (RMC), em 2025 realizou a sua transição definitiva de mantenedora para investidora social estratégica e articuladora sistêmica do ecossistema social, apoiando Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e fortalecendo os debates e ações para a implantação e melhorias de políticas públicas. Sua atuação é focada em três grandes pilares: Acesso a Direitos Sociais; Inclusão Produtiva; e Convivência Familiar e Comunitária Saudável. Gerida por um Conselho Curador e uma Diretoria Executiva, a instituição conta com uma equipe técnica especializada em suas áreas programáticas para orientar seus investimentos. Em 2025, mobilizou mais de R$ 34 milhões em recursos próprios para o desenvolvimento e apoio a projetos no município, sem o uso de verbas públicas. Saiba mais em: feac.org.br