Olá, meu povo antenado! Como foi o carnaval? Muita alegria e desfiles de fantasias? É isso aí, agora acho que começamos o ano de 2016 oficialmente. Quero agradecer a todos que mandaram um feedback sobre meu último artigo. Fiquei muito contente pela repercussão. Aproveitando, quero falar de um termo utilizado no último artigo. A palavra de origem francesa: ” Bas fond”. Bas-fond – No francês, quer dizer “baixada”, a parte do terreno que fica mais embaixo numa cidade. Quando aparece um “s” final, bas-fonds , refere a gentalha, a ralé, o submundo. Diz-se |BA-FÕN|, nos dois casos (com e sem “s”. Dá pra suspeitar que o termo de gíria brasileira bafão, que quer dizer confusão, bronca, briga, fofocalhada, tenha a ver com o termo francês.
Também quero falar de timeline. Timeline é uma palavra recorrente na mais famosa rede social atualmente. Mas este tipo de estrutura para contar a história ou a estória de sua vida não é novidade, por isso hoje vou falar de um famoso estilista cuja história poderia ser contada em timeline. Vou falar no rei da vanguarda, um profissional sempre à frente de seu tempo, Yves Saint Laurent. Ele mudou o rumo da moda diversas vezes. Vamos conhecer os primeiros passo desse gênio e os pontos altos de suas criações.
Ele ficou famoso por quebrar a barreira entre os gêneros, emprestar o universo artístico para a moda e dar novos contextos ao guarda-roupa feminino. Em suas próprias palavras, ” Chanel libertou as mulheres, e eu lhes dei poder”. Yves Saint Laurent sempre esteve no auge; agora, no entanto, ele está gigante – as telonas ganharam duas biografias : Yves Saint Laurent e Saint Laurent, dirigidos por Jalil Lespert e Bertrand Bonello, respectivamente.
Vou tentar detalhar a trajetória deste grande estilista através da linha do tempo ( timeline) com os momentos mais icônicos de sua grife.
1936- Yves Henri Donat Mathieu-Saint Laurent nasce no primeiro dia de agosto, em Orã, Argélia.
1953- Muda-se para Paris e estuda na École de lá Chambre Syndicale de la Haute Couture.
1954- Vence um concurso de desenho, impressionando Michel de Brunhoff, editor da Vogue francesa, que o apresenta a Christian Dior. É convidado a trabalhar na Maison Dior.
1957- Com a morte inesperada de Dior, ele se torna o substituto do mestre.
1958- Yves Saint Laurent coloca o icônico vestido trapézio na passarela de primavera da Dior.
1960- Ele é convocado pelo exército francês a lutar na guerra da Argélia, mas alguns dias depois é internado num hospital psiquiátrico por não dar conta do recado.
1961- Quando retorna da guerra, a Dior já havia encontrado um novo diretor criativo.
Em parceria com seu namorado, Pierre Bergé, funda a própria grife.
1965- YSL Cria o famoso vestido Mondrian, iniciando um relacionamento duradouro entre moda e arte.
1966- Cria a coleção Pop Art inspirado nos artistas Andy Warhol e Niki de Saint Phalle, leva à passarela o primeiro smoking feminino, quebrando a barreira entre o closet masculino e o feminino, além de idealizar peças que deixam partes do corpo das mulheres em evidência. Inaugura a primeira butique prêt-à-porter ( ready-to-wear), a YSL Rive Gauche, adorada por alguns e criticada por outros. ” A moda ficaria muito chateada se seu único objetivo fosse vestir mulheres ricas” , diz.
1968- No desfile couture de primavera, mostra blusas transparentes, revelando os seios das modelos.
1971- Posa nu para o anúncio do perfume YSL Pour Homme Cologne e faz o primeiro desfile da sua grife ready-to-wear.
1973- YSL inova colocando modelos de diferentes etnias na passarela, incluindo a negra somaliana Iman, ( viúva do recente falecido cantor David Bowie).
1976- Inspira-se nos figurinos do balé russo, criados no começo do século 20, por León Bakst, para sua linha couture. Uma das séries mais icônicas da grife, na qual diversas tendências foram lançadas.
1977- O perfume Opion é lançado, tornando-se um hit e levantando polêmica por ter o mesmo nome da droga ilícita que trouxe diversos problemas para o mundo, principalmente para China.
As modelos negras Iman, Beverly Peele, Veronica Webb, Pat Cleveleland e Naomi Campbell começam a marcar presença nas passarelas e nas campanhas de YSL.
1983- Yves Saint Laurent ganha retrospectiva no instituto de Figurinos do Metropolitan Museum of Art, de Nova York. A primeira exibição de um estilista ainda vivo.
1998- Aposenta-se como estilista das coleções ready-to-wear, permanecendo atrás da vertente haute couture. Alberto Elbaz é convidado a cuidar da grife.
1999- O grupo PPR adquire a Gucci que, por sua vez, compra a marca YSL.
2000- O grupo Gucci substitui Alber Elbaz por Tom Ford.
2002- YSL faz um último desfile de retrospectiva e se retira do mundo da moda. Tom Ford fica encarregado de toda a direção criativa da grife.
2008- Yves Saint Laurent falece por conta de um câncer cerebral.
2012- Hediondo Slimane se torna diretor criativo e o nome da grife ready-to-wear é alterado para Saint Laurent Paris, causando indignação aos adoradores da marca.
No dia 7 de janeiro de 2002, Yves Saint Laurent convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que estava se despedindo do mundo da moda. “Escolhi dizer hoje adeus a esta profissão que eu tanto amei.” Disse também que seu sentimento era de desgosto por uma indústria que se rege pelo comércio em detrimento da arte.
Em 22 de janeiro, no Centre Georges Pompidou, em Paris, aconteceu o último desfile de alta-costura de Yves Saint Laurent. Foi uma grande retrospectiva das suas criações em uma hora e meia em que um exército de modelos desfilou as criações clássicas da marca, como a saharienne e o famoso smoking, entre blusas transparentes, vestidos Mondrian e Pop Art, além dos eternos terninhos andróginos. No encerramento, além das 60 modelos vestidas com o “le smoking”, Catherine Deneuve emocionou os convidados ao cantar para seu amigo de tantos anos.
Era o fim de uma era de luxo, elegância e glamour na alta-costura, a era YSL.
Essa é a trajetória gloriosa do rei da vanguarda.
Até a próxima semana, povo antenado!
“A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, eu estou aqui.”

